domingo, 13 de outubro de 2019

Livro Nefasto Mundo

Nefasto Mundo

Poesas

Ateu Poeta/ Amadeu Nuvem/ Aroldo Historiador

SUMÁRIO:

1-TEOREMA DO GATO
2-SER DE MISTÉRIO

112-MONÓLITO ONÍRICO

112-MONÓLITO ONÍRICO

Fruir o figo
Onírico frugal 
Sinergia calcinante
Monólito dactílico

Na esplanada delirante
Do recôndito recôncavo 
Nesga esfera sem claraboia 
Capcioso paralogismo

Interlúdio das eras
Aparato in natura
Cítara suprema de neutrinos
Nomo do ciclo limiar

Hexâmetro de nêutrons
Pentagrama nomos nômade milenar

Ateu Poeta
15/11/2015

111-PLACAS TECTÔNICAS

111-PLACAS TECTÔNICAS

As placas tectônicas
Sempre desarmônicas
Com as nossas ilusões
Quebram todos os olhares

Derivações insulares da História 
A arqueologia crava novas trajetórias
Criando outros mares a cada escavação
Lá no abismo estão os diamantes

No fundo da mente pulsam novas canções
Não tenho pá nem trator
Paz ou senhor
Foram embora as boas inspirações

E agora o branco intenso domina
Hora de jogar minas na escuridão

Ateu Poeta 
20/10/2015

110-ALARIDOS POR ALÁ


Imbecis da multiplicação
Um monte de amebas
Na era da informação
Hoje é um dia de fúria

É hora de matar judeus
E cometer injúrias
O mesmo destino serve para cristão
Curdo e ateu

E até a mesma religião
Quando menos se espera
Surge a explosão
Criando nova quimera

Muçulmanos em ação
Quem desenhar será punido
Embora que o terrorismo precise de exposição
Morrer dá grande libido

Pela tola promessa
De setenta virgens ser marido
Todos em guerra com muita pressa
Para agradar um mito descabido

Ateu Poeta
14/10/2015

109-O ALAÚDE E O SÁBIA


109-O ALAÚDE E O SÁBIA

Mando o conto de fadas 
Às favas com o seu cartel
Se a amante for da elite
Até Afrodite descerá do céu

Qual será a sina
Deste pobre menestrel 
Sem alazão nem espada
Para seguir jornada

Em imenso quartel
E matar o bravo dragão 
Com ácidos golpes de fel?
Que fazer se a princesa for feia

O centro da aldeia
Um carrossel 
O mundo
Um castelo de areia

E o canto da sereia 
Ecoar no bordel?
Não é o preço que aperta e incendeia
Como a capoeira não está no chapéu

O apreço com força incandeia
Há grude na teia
Do perfume no véu 
Será o certo se algemar

A um só coração 
Em águas turvas mergulhar 
Serenata silvestre no ar
Criar um mar de canção

Ou viver em paz
Livre da paixão 
E fugir da gaiola
Como quem corre do cão?

Enquanto o poeta transforma
Quimera em sabiá
Eu voo com o meu alaúde 
E o bobo se ilude com a sábia

Ateu Poeta
11/10/2015

108-TERRORISMO DIGITAL


108-TERRORISMO DIGITAL

Hoje que está tudo normal
Não se pode ter opinião 
A ditadura é um sonho habitual 
Coisa para quem tem culhão

Sofremos terrorismo digital
Enquanto as bombas abalam a Síria 
Balas perfuram bocas de siri
A lei goela a baixo

Abaixo os rottweilers 
Que ladram mil máscaras
A verdade destrói Nietzsche 
Helenos e troianos

Trácios, etruscos e espartanos
Onde o palácio é o palco do tiranos

Ateu Poeta
11/10/2015

107-GRANADA-GANÂNCIA

107-GRANADA-GANÂNCIA

Quem domina a bola
Controla a bolada
Mídia armada no camarim
O mulambo só expõe a fachada
A cambraia fina não tem fim
Enquanto existir dívida
O tráfico governará 
A miséria será grande ferida
De Pequim ao Pará
Ávida lida
Todos usam a mesma granada
A ilusão é um nada que gera estopim
A guerra é a grande cilada
A humanidade é o seu próprio Caim
Otomanos, turcos, sírios, sunitas, enfim
Russos, americanos, etruscos, romanos
Romenos, germanos, francos, quem fala Latim?
Celtas, Babilônios, hebreus, semitas-assírios-muçulmanos
No mano a mano hermanos matam os filhos seus
Os samaritanos são os próprios fariseus
Sumérios sumiram
Caíram impérios
Saxânidas, parcos, demônios
Arianos, dórios, aqueus, dácios, transilvanos
Unos, godos, vândalos, trácios mais bravos
Helenos, troianos, micenos, macedônios
Espartanos, lusitanos, fenícios
Cem anos de rosas e cravos
Vikings, curdos, cartagineses
Egípcios, chineses, mongóis, eslavos
Saxões, gauleses, italiotas, anglos
A ganância devora e faz grunhir o mundo
E o abismo é cada vez mais fundo

Ateu Poeta
05/10/2015

106-MÍDIA MÍTICA

106-MÍDIA MÍTICA

Já cansei de ouvir que está tudo um caos
Se parar para sentir é apenas um carnaval
Não importa se o ás na manga é de paus
Estátuas escondem o ouro naval

As efemérides estão cheias de lorotas
Divisas, dividendos, agiotas
Alíquota, algorítimos, gaivotas
Gráficos no grafite e ideias rotas

O que incomoda a moda crítica
É a tal da commodity 
Apropriando-se da subida do dólar
E não há quem acredite

A mídia é muito mítica
Dita a ditadura do lar

Ateu Poeta
16/09/2015

105-METONÍMIA DE VENTO

105-METONÍMIA DE VENTO

Quem passa fome não tem nome
Vira metonímia de vento
O cobertor de relento é um frágil e lento andor
Onde a águia vem rapinar
Ceifando os sonhos do condor
O lobo não pode voar
Por isso uiva tão alto
Quando a lua brilha do planalto
Na serra, cerrado ou savana
Só passa uma vez a caravana
Tênue e tenaz tez
De um finito xadrez

Ateu Poeta
15/09/2015

104-FAUSTO SEM MEFISTOFELES

104-FAUSTO SEM MEFISTOFELES

O teu sorriso devora meus versos
Cada decote é um mote e moinho
Mundo em mergulho no ninho
Ilusões do caminho
Todos acham que o poeta fala sério
Menos quem deveria a critério
As letras avulsas fazem barulho
Partem o universo em sinfonias de marulho
Tudo se perde quando te vejo
Esqueço até o endereço dos meus olhos
Desejo teus beijos aos molhos
Com a sede de um mês no deserto
Não sei por que este coração é tão incerto
Quanto as tramas de Iago
Fausto sem Mefistofeles por perto
Escriba sem Daymon no lago

Ateu Poeta
15/09/2015

103-QUASAR

103-QUASAR

Quase não é o bastante
Porque nunca será quasar
Casar a nave com o Quênia
Não a fará dançar

Descendentes de Bragança
Roubam a aliança salutar
Lutar ainda é pouco
O louco quer o jogo virar

Mas não vem
Não vê
Nem ouve
Se houver

Quando tudo é sabre
Nada sabe nadar

Ateu Poeta
03/09/2015

102-SEM FÔLEGO

102-SEM FÔLEGO

Fôlego é o que eu perco ao te ver
Meu coração de lego
Já não sabe mais bater
Nem o pulmão respirar

Falta-me o ar nos teu olhos
Em teus esses o universo se esvai
E não volto a ser feliz como noutras eras
Tua boca é quimera de rimas

Que alitera as belas canções
Templo de radiação
Que emana paixão e delírio
Até teus cabelos têm o brilho da ilusão

Ateu Poeta
01/09/2015

101-TEU FOGO

101-TEU FOGO

Teu fogo é o jogo mais complexo
A cada amplexo meus poros evaporam
Lava em erupção
Lava e dá brilho 

Aos estribilhos do meu coração
Canção de guerra e paz
A viola no cais veleja novas baladas
Sonas, serenas inatas

Surgem sereias aladas 
Jornada de mil quimeras, minha dama
Sem ti só sinto um abismo de lama 
Aforismos sem abrigo

Mas, contigo todo o universo
Faz versos na cama

Ateu Poeta
01/09/2015

100-O LIXÃO


Não adianta não
O mundo é um lixão, meu irmão
A lei do consumo
Transforma tudo em insumo

Em resumo
O homem é um ET no próprio planeta
Depois da vinheta
Já vem o novo vetê

A meta é ver TV
Não dá pra reverter os males aos milhares
A miséria não se sana com militares
Nem sairá no novo LP

A poluição é só a ponta da escopeta
Não se mata ladrão com tiro de espoleta

Ateu Poeta
31/08/2015

99-FÊNIX AO MAR

https://nefastomundo.blogspot.com/2019/10/99.html
99-FÊNIX AO MAR

Toda fênix é um condor que voo demais
Ícaro do caos
Hiato ao cais
A estratosfera fere
Meteora a matéria
Não adere
Tudo o que é trans transtorna
Transgride
Transcende
Ascende
Acende
Agride
Águia agridoce
Deforma
Reforma a forma
Joga o jogo no fogo
Contorna
A bigorna é o brinde da direita
Onde o chapéu é marreta
Caixa-preta
Violeta em samba de raiz
O dólar na viola é meretriz

Ateu Poeta
31/08/2015

98-REGAÇO DE BLUES

98-REGAÇO DE BLUES

Para atravessar o mar
Não se pode ter receios
Quero me deleitar
No mar de leite dos teus seios

Esferas cintilantes
Brilham mais do que o sol
Portais de diamantes
Dois amantes no arrebol

Regaço azul
Mirantes da lua
Livres laços de blues
Delirantes sobre a rua

As curvas sustentam e quebram
Os paradoxos da retidão
Esses teus esses celebram
As maçãs do ilusório Adão

Concertos desconcertantes
Consoantes sem sonoplastas
Côncavos instantes
Convexas sonatas castas

O sonho com o impossível
É o exagero da espiral
Complexos do invisível
O giro é a gíria do jirau

O grilo é o grito
Neste mundo esquisito
Onde a verdade é mito
Mero hiato aflito

Teu corpo fica mais bonito
Quando está junto ao meu
O eterno conflito
De Julieta e Romeu

Ateu Poeta
27/08/2015

97-NEGÓCIOS DA CHINA

97-NEGÓCIOS DA CHINA

É tua a lua que esconde a rua
Há onda ainda?
Aonde anda?
Trôpegos tópicos tropicais

Se caem no cais
Corais
Coroas, corolas, carolas
Carnavais

Carruagens se curvam
Securas se curam
Em notas de rodapés 
Lágrimas escorrem

Córregos correm, infindos igarapés
Sacis-Pererês e o gordo da Coca
Não explicam porquês
Duende-barrete

Barril e porrete
Negócios da China
Quando o capitalismo ruir
E o mundo não souber mais sorrir

O lirismo morará
No limiar de aforismos
Abismo dos teus olhos
Doce caos do teu mar

Ateu Poeta
26/08/2015

96-EFÊMERA CANÇÃO


Um dia ainda faço safári 
Nesses lábios-maçã
Teu sorriso-Nefertári 
Ilude o meu coração

Alaúde que confunde a manhã
Surfando em sufixos do sul
Quase virei astronauta
Mas, a Terra está em outra pauta

Minha pátria louçã
Nem sabe da negritude
Que te ratifica
É pobre tudo o que se branquifica

Afinco a fio, afã
Afinada canção efêmera e vã

Ateu Poeta
26/08/2015

95-IMPRESSIONISMO

95-IMPRESSIONISMO

Pressa presume pressão
Impressiona
Teu olhar na multidão
Apaixona

Odeio o digitar de quem telefona
Pego carona no teu mar-imensidão
Nossos beijos já foram aglutinação
Tenho saudade de quando não tinha sanidade

E tentava ganhar o teu coração de gelo
Já não tenho calor
Nem faço elo
Só duelo com bem-te-vis a cantar

Não procuro mais colibris no jardim
A cada dia eu sei menos de mim

Ateu Poeta
19/08/2015

94-EU SOU A ISCA

Orta orgânica
Canônica órbita da obturação
Canção de operação obtusa
Têmpora da destemperança

Temporal atemporal
Matéria espectral
Filamentos de fissuras
Não importa se está sol

Pois o anzol que arrasta para o arrebol
Fura com fúria 
E fere a minha boca
A religião se apropria dos erros aforísticos da Filosofia

Para disseminar o caos pelo mundo 
Numa esfera fria de fantasias terroristas

Ateu Poeta
2015

93-DISPAROS DÍSPARES

93-DISPAROS DÍSPARES

Dispares
 Díspares olhares
Em minha direção
Que eu morro

No seio do morro
Na mesma canção
Que vulcão!
Peço socorro a Adão

No refrão
Existe alguma maçã no jardim
 Querubim?
Já nem sei se cheguei ao meu fim

Tampouco ao começo
De arremesso
Não meço palavras de gesso
Adereço

Não lembro do teu endereço
Reconheço
O desejo vem
E me vira do avesso

Enfim, sem saída
Entendo tão pouco de mim
E dessa vida
Nem mesmo encontrei a guarida

Na lida
Nem lembro se sei dizer sim
Só de ida
Estrada ditada não deve ser lida

Ateu Poeta
19/07/2015

92-FALSAS SIMETRIAS

92-FALSAS SIMETRIAS

Perfeição não é beleza, mas eficiência
Nos perdemos em falsas simetrias
Que sangram muito o coração
Fogo fugaz, feroz
Átrio atroz
Paixão!
Tudo explode
Corpo, campo capenga
Compostos químicos da corrosão

Ateu Poeta
19/07/2015

91-LÁ FORA

91-LÁ FORA

Lá fora
A cada hora
A arcádia canta
A primavera se aprimora

Viciado
Cego ser seviciado
Espartanos esparsos
Paço de quimeras

Noir espaço sideral
Na junkebox da esquina
Tocam trôpegas conjecturas de Noel
Neve cobrindo a serra de cristal

Sem saber sangrar serpente, sabre e sal
Aurora se esconde por trás de todo esse vendaval

Ateu Poeta
16/07/2015

90-CORAÇÃO DE GELO

90-CORAÇÃO DE GELO 

Meu coração é de gelo porque você o fez sangrar
 Tentei atravessar o mar, mas naufraguei
 Em mil noites em claro me perdi
Dez mil anos depois me encontrei
 Mas, já é tudo vazio
O tempo é fugaz neste estio 
 Somente a poesia me faz prosperar 

Ateu Poeta
 13/07/2015

89-NARCISO RENASCIDO

https://nefastomundo.blogspot.com/2019/10/89-narciso-renascido.html
89-NARCISO RENASCIDO

Sempre a mesma corja
Cidade da insanidade
Pedaço de carne jogada aos leões
A corrupção impera perfeita

Com pão, circo e rojões
E quem diria que Narciso sabia nadar?
Tio Patinhas renascido das cinzas
Viver para ver se isso vai prosperar

A justiça se rende no fim
É pescada na rede de quem paga mais
O bom mágico preserva seu às
Mistério que se desfaz

A nobre coroa do império
É posta na cabeça de Barrabás

Ateu Poeta
13/07/2015

88-CASSINO

88-CASSINO

Para o político de palha
Que tem cara-de-pau
A vida não é mais que um cassino
Apenas um show de ladrões

Brasília é uma quadrilha
O povo dança e eles formam
O samba de grande carnaval
Boêmios canalhas, fanfarrões

Fazendo farra às nossa custas
E controlando a mente de massa
Porque são donos das grandes mídias
Dos tele-comunicações

O cabresto da Rede Globo
Algumas revistas da Abril
Jornais de São Paulo
E de todo o Brasil
  
Montaram um grande cartel
Pensam que cada prédio público é motel
Apostadores, que querem ir para o Céu
Mas, financiam o grande fuzil

Quem apoia a ditadura uma vez
Adora tudo o que é vil
Não basta ter dinheiro
Tem que ser um rio

Grande máfia de Al Capone
Tubarões de gravata
Bravata de escorpiões
Amargo cálice da serenata

Tudo é valsa e estopim
Champagne de encontros sem fim
O futuro do país no estio
No estilo mais varonil

Glória golpista
A pista está cheia
Gangue e cadeia
Grandes equilibristas

A corda bamba centeia
Muitos estão amarrados
Presos pelo rabo
Devoram mundos inteiros

Ateu Poeta
12/07/2015